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Segredos das Igrejas de Guimarães

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Guimarães, cidade milenar aonde história e tradição se confundem, é marcada pelas várias tradições e pormenores que se confundem com os seus edifícios.

As suas múltiplas e seculares igrejas escondem algumas dessas tradições, desde Guimarães ser uma “Cidade com uma catedral sem um bispo”, à tradição popular de aqui ter nascido um Papa, e por isso muitas são as estórias que podiam ser recontadas.

Fique por isso com algumas destas estórias que fazem a história e que marcaram o nascimento e crescimento de Guimarães.

 

Igreja de São Francisco – Casa dos santos ocultos

Fazendo parte do conjunto maior do Convento de São Francisco, mescla de vários estilos artísticos. De origens medievais, na sua presente localização a sua igreja conventual oculta dois santos de canonização e devoção popular.

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Falamos de São Gualter e “Santa” Constança de Noronha.

São Gualter, padroeiro de Guimarães e a quem são dedicadas as Gualterianas, Festas da Cidade, desde 1906, foi um frade franciscano que aqui chegou, cerca de 1216/1217, incumbido por São Francisco de Assis de implantar a Ordem de São Francisco em Portugal. Vários milagres a ele foram atribuídos ao longo dos séculos. Em 2009 o que poderão ser as suas relíquias foram redescobertas nesta igreja.

Constança de Noronha, a Duquesa Santa, foi a segunda mulher de D. Afonso de Bragança e primeira Duquesa de Bragança. Extremamente devota, com a morte do seu marido, dedicou-se a várias obras caritativas, dedicando especial atenção a este convento e ao seu engrandecimento.

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Aqui foi sepultada, ganhando rapidamente fama de santa apontando-se-lhe vários milagres. À volta do seu túmulo e pelas suas propriedades milagrosas da terra deste, os pobres e desprotegidos criaram um culto, mas a incúria e o tempo levaram a o túmulo e sepultura se perdessem. Cumpria-se assim o seu epitáfio “Alfonsi conjux Ducis hoc Constança Noronha Regia progenies, conditur in tumulo., traduzido para “Constança de Noronha, descendente de Reis, e mulher do Duque, Dom Afonso jaz escondida neste túmulo”.

Mas já no século XX o túmulo seria reencontrado e passaria para o seu presente local de honra, em frente ao altar-mor.

 

Percurso religioso por Guimarães 268Igreja dos Santos Passos – Igreja com duas torres apensas

Com origens numa diminuta capela, erguida em 1594, a setecentista Igreja dos Santos Passos, mais conhecida como Igreja de São Gualter é a última obra do arquitecto bracarense André Soares, mestre do barroco e rococó.

Estes dois estilos artísticos convivem harmoniosamente nesta igreja, elevada da sua envolvente por uma plataforma que permite-a dominar o terreiro fronteiro e marcar o seu limite sul em diálogo com o centro histórico, seu limite norte.

 

Acedendo-se por uma escadaria decorada com balaustres pode-se daí admirar a intearcção desta com a a fachada e os pormenores de jogos geométricos de volumes, curvas e planos e a cenografia das estátuas que lhe conferem um carácter e dinamismo próprio.

 

 

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Mas esta harmonia iria ser perturbada com o apensar vários elementos estranhos como o forrar da fachada a azulejo, um relógio e de duas torres estranhas ao conjunto. Estas duas torres, da autoria de Pedro Ferreira, datadas da década de 1860 tornariam este conjunto desproporcionado e pesado em franco contraste com o delicado equilíbrio anterior.

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Igreja de São Pedro – Igreja com uma torre a menosPercurso religioso por Guimarães 449

Inserida no T
oural, centro cívico e social de Guimarães, com as suas sóbrias construções burguesas e nobres de pendor pombalista, a Igreja de São Pedro, também conhecida Basílica de São Pedro, tem as suas origens na Irmandade de São Pedro, constituída no ano de 1616.

Disputas com as igrejas que albergavam esta irmandade originaram a necessidade de procurar poiso próprio.

Insatisfeitos com esta situação, os irmãos, começariam a levantar a sua primeira capela em 1737, sendo esta sido benzida a 11 Novembro de 1750 e entronizada a 29 do mesmo mês.

Ainda decorriam as obras, quando a 26 de Março de 1751 é elevada à dignidade de Basílica Menor, pelo Papa Bento VIX, estatuto que era “a primeira que na prima diocese [de Braga] se reconhece e a terceira que ilustra a orbe lusitana

Mas apesar de tal estatuto, a primitiva capela não continuava a ser simples barraco de madeira com somente 5 metros de largo por metros de 18 de comprimento.

Impunha-se uma edificação à altura do estatuto!

Esta iniciou-se em 1782 e terminariam em 1884, após várias vissicitudes e paragens nas obras.

Mas mesmo com a dignidade desta nova igreja não se evitou que esta ficasse incompleta, pois a segunda torre prevista nunca foi concluída e assim a fachada ficou imperfeita e assimétrica.

TIARA PAPAL NO TÍMPANO DO FRONTÃO E CRUZ PONTIFICAL

TIARA PAPAL NO TÍMPANO DO FRONTÃO E CRUZ PONTIFICAL

CRUZ PONTIFICAL

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Cruzeiro da Senhora da Guia – Cruzeiro do despeito e vingança

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Encostado ao actual Museu de Alberto Sampaio e protegida por grades de ferro, este cruzeiro manuelino passará despercebido aos mais distraídos.

Duas tradições Percurso religioso por Guimarães 263locais distintas tentam explicar uma figura que, ajoelhada e de costas para quem passa, reza a Nossa Senhora da Piedade e a sua origem.

Se a primeira afirma ser a figura a personificação de um frade local que teria mandado erguer o cruzeiro para assim vingar-se da desconsideração dos populares, pois ao rezarem à Virgem eram igualmente obrigados a fazer uma saudação ao frade, enquanto este lhes virava as costas em desdém. A segunda tradição, mantendo a base da primeira tradição, atribui antes a encomenda do cruzeiro a um sapateiro e muda o frade – que se recusava a cumprimenta-lo – do lugar do autor para o lugar de “vítima”.

 


Igreja de São Miguel do Castelo – Símbolo dos primórdios da nacionalidade

Despido das suas velhas gPercurso religioso por Guimarães 002elórias e sob a sombra dos imponentes Castelo e Paço dos Duques esconde-
se um humilde e poderoso símbolo da nacionalidade.
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“Humílima e pobre, serena na sua mudez de escuro e rugoso granito”, a românica Igreja de São Miguel do Castelo foi construída nos inícios do século XIII e deve a sua humilde construção à sua construção “semi-clandestina”.

Mas tal facto não evitou que a tradição popular a associa-se ao nascimento de Portugal.

Dentro do lusco-fusco interior de uma só nave coberta a granito e escassamente decorada, admira-se, por entre antiquíssimas cruzes da sagração e lajes tumulares, decoradas com vários motivos antropomórficos, militares civis e simbólicos, a pia baptismal aonde, segundo alguns, foi baptizado D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

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